terça-feira, 10 de abril de 2012
Dias sim, dias não.
''-Estava ele lá, olheiras profundas de uma noite mal dormida, acreditava na chegada de um novo dia, talvez melhor que os anteriores. Mas sempre é assim, quando não há um bom começo, nada termina bem. Levantou como de costume, abre as janelas, sente a clima quente de mais uma tarde de verão, no banheiro olha-se no espelho, na torneira não há água, daquelas gotas que pingam lava o rosto, não há tempo para esperas, simplesmente veste a blusa, aquela pretinha básica de sempre, uma calça daquelas largas, a que ganhou da avó no natal retrasado e seu all star vermelho, com os cadarços desamarrados, pega sua bolsa, tranca as portas e vai a luta, aquela nossa de cada dia. Na padaria, o mesmo pão na chapa, e o habitual café com leite para o desjejum. No ponto aguarda ansioso a chegada da condução, aquela mesmo, o 217 ou lata de sardinha, não sei, olha o relógio 15 min. para chegar ao trabalho. Nos olhos o brilho de sempre, no fundo um ar de tristeza. Coração acelerado, o telefone toca, será que era ela? Ao atender: - Alô!. -Alô, aqui é a Patrícia do banco é a respeito do débito que o senhor possui, o senhor tem um prazo de uma semana para quitar essa dívida. Agradece o telefonema e encerra a ligação. Até que fim seu ônibus esta a caminho, paga a passagem, espremendo-se no meio da multidão busca um espaço seguro, confortável, para que possa reorganizar os pensamentos, encontrar seu eixo, talvez no meio daquele aperto pudesse encontrar o abraço que procurou durante toda a semana e o máximo que conseguiu, foi ouvir a voz da secretária eletrônica informando que o número que desejava ligar estava fora de área ou desligado. Mas isso não vem ao caso. (...)
Continua...
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