-Precisava caminhar, caminhar por entre as ruas, as ruas da cidade, da praça ou vila, caminhar sem destino, compromisso. Um fim de tarde de um domingo qualquer, naquele cenário urbano, entre carros e asfalto. Fim de tarde de outono, brisa no rosto, cabelos ao vento, peito erguido. Acender um cigarro, apreciar do tragar as cinzas. Naquela tarde se fez em folha, em vendaval, arrastando a cada passo, trago e carro, ruas, avenidas, calçadas e esquinas a solidão que lhe devorá, que se cala, e grita, gritava em silêncio. Tremor de dentro pra fora, não do frio, ou chegada do inverno. Grito de caça, espera, de dor. Procurando sua porta, seu perfume, os seus braços, nem que fosse para se fazer em aguá, cascata, tsunami, arrastão. Debulhar-se em lágrimas, gritar no seu portão, que seu amor é só seu, mesmo você gritando que não, mesmo ele querendo que não. Pedir sua mão em casamento a sua mãe, irmãs, patrão. Só pra não passar mais um outono, inverno, primavera, verão, dormindo e acordando, sem você ao lado.
Escrito em papel de pão.
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